09/10/2009

Inúkògún - Aquele que é Torto por Dentro


Às vezes a vida segue rumo à encruzilhada, onde as decisões precisam ser tomadas, e ao tomar as decisões erradas o diabo é quem é culpado – e o diabo se transforma na idéia de inimigos, tanto no singular como no plural. A conclusão ‘lógica’ é que estamos sob ataque e magia é a solução. Mas esta lógica muito frequentemente pertence à sociedade material e aos mecanismos, igualmente modernos, da psicologia.
Às vezes as pessoas estão realmente sob as sombras de algo maléfico, mas estes casos são raros – mais comumente estes são casos de auto-maldição. Estes são tipicamente notados pela inquietude, raiva e paranóia.
Estes poderes motivam a pessoa afligida a buscar uma solução mágica, sem perceber que uma solução mágica aplicada a situações como estas são como cortar uma árvore com um martelo – tende a carecer de precisão, desde que a raiz da condição não é atingida e sim um amontoado de efeitos.
O auto-amaldiçoado típico é mencionado nos Odù Ifá, em omodu ìkáwòrì, onde Ifá fala de uma pessoa chamada Inúkògún, cujo nome é traduzido como “aquele que é torto por dentro”, como um contraste da retidão de um poste de ferro, em referência a Ògún.Este verso de Ifá conta que Inúkògún é “o mutilador de si próprio, aquele que age contra si próprio”. Ele age contra si ao tramar formas de prejudicar e lançar malefícios contra outros, e o verso diz contra isto que “Aquele que lança cinzas é seguido por estas cinzas”. Esta condição é típica para muitas pessoas que procuram auxílio mágico, especialmente onde as presenças dos inimigos se encontram. Inimizade é sempre causada pelo antagonismo entre duas artes que estão desproporcionais e são experimentadas como em conflito ontológico. Mas não há conflito ontológico, somente medidas erradas.
Outro verso de Ifá, Ejì Ogbè, nos conta como a distância das pontas dos nossos dedos aos nossos cotovelos são diferentes da distância dos ombros até os pés, em admoestação a se pensar claramente antes de agirmos, e uma admoestação a não “agarrar nossa boa fortuna com pressa”. Ao invés disto, este verso de Ifá nos conta que devemos nos mover ao redor do mundo “com dignidade e movimento medido”. Então, se não existem inimigos, somente maus julgamentos na percepção da medida da pessoa, qualquer ato de malefício que parte dela mesma passa a ser realmente lançar cinzas contra o vento e se colorir em seu próprio medo e paranóia. Então, não se amaldiçoe, abençoe-se, e então você poderá trazer dignidade para sua vida pelos movimentos medidos. Ase O.


Por Nicholaj Frisvold