11/10/2009

Malakim Veneris ou, Os Anjos de Vênus


O Divino Feminino intriga e magnetiza o contemplador. As mulheres, como portadoras do Arcana Arconorum da Natureza é repetidas vezes vestida em verde e vermelho, em túnicas de prostitutas e rainhas, fadas e nobres de todos os tipos. Ela é o Norte, ela é a Água, ela é a caverna e a tensão da escuridão. Ela é o momento da morte e o desdobrar da Natureza em máscaras e disfarces de todas as formas e modas.
Ela é a Sorveira e ela é Salgueiro a rosa sangrenta que se suspensa dentre o selvagem bosque verde. A runa ‘ken’ é às vezes associada com o poder da Sorveira e sua madeira vermelha, falando de sangue e luxúria, como o Salgueiro fala da grandeza confortável e consolo de mulher. Mulher é mistério, conforto e aniquilação, como falam as três Marias (Alnitak, Alnilam and Mintaka) compondo o cinto do Grande Caçador, Órion. Como tal ela é o cinturão de proteção, a linha secreta no peito do guerreiro.
Assim como o tempo degenera e a luz divina se turva e distancia, assim faz a compreensão do homem material sobre o portal da casa de Deus. O divino feminino visto como Schekinah, ou “Presença de Deus” – ou mulheres vistas como Sophia, “Sabedoria” – é geralmente descartado a favor da mulher como Prunikis, ou “prostituta”, vista em perspectivas completamente profanas.
Não somente a perspectiva profana, mas a moral que media esta perspectiva profana reside em julgamentos corrompidos de orientação dualista. Isto, por sua vez leva à deturpação da mulher e sua imagem divina. Axiomas como “A Mulher É Tudo” são aproximadas de motivações carnais e idéias semi-tântricas, como as apresentadas, por exemplo, por Omar Garrison em sua publicação de “Tantra – A Yoga do Sexo”, em 1964.
Apesar de algumas boas perspectivas, a abordagem sensacionalista toma a atenção, especialmente quando ele fala de ‘demônias’, e o interesse é total nas manifestações perversas e sensuais. À mente chegam Inanna, Ishtar, Lilith, Freya, Circe e outras filhas de Vênus, que falam do sensual e erótico, força e oráculos. Talvez a forma mais intacta relacionada ao divino feminino seja a deidade do rio Ioruba, Osun, onde a elegância, perspicácia e agudeza andam de mãos dadas com o erotismo jubiloso e sabedoria oracular. Da perspectiva tradicional, Osun foi a primeira Irunmole (casa da luz) mulher que veio à Terra com o propósito de adoçar o mundo com abundância e alegria sob o sol. Sua face noturna, por outro lado, ela foi relegada ao círculo das mulheres sábias, as IyaMis, representando os potenciais cataclísmicos na criação, os perigos noturnos, a fúria do caos e o gélido fogo da necessidade. Estas faces vis e perigosas do divino feminino geralmente se encontram com a estreiteza em termos de compreensão, como vemos no poder venusiano, Mama Chola, que encontramos no Palo, a Pomba Gira na Kimbanda ou Erzulie Dantor, se não Marinette no Vodu Haitiano.
Tomando-se Pomba Gira como um exemplo, encontramos aqui a mulher como desafiadora. Ela é claramente um protótipo da bruxa continental (assim como muito mais), desde que ela se mantém firme em sua feminilidade, orgulho do corpo, da mente, e seus poderes de atrair e repelir. Como todos os poderes femininos, todos os anjos de Vênus, ela preside sobre a ruína e a destruição, e abençoa no mesmo sopro. Vênus é tanto gulosa como hedonista, e é a estrada do amor e devoção rumo à unificação e sabedoria. Os trovadores e aristocratas vagantes que se ocuparam com a prática do amor cortês perceberam o mistério de Deus ao fundarem a morada na presença de Deus usando a mulher como o ponto de atração da divina doçura em suas vidas.
A mulher é a divina doçura ou a divina amargura. A raiva que inflama Marte é uma conseqüência direta da amargura de Vênus. Poucos parecem contemplar estes fatores e ao invés disto a mulher é abordada como uma companheira luxuriosa e meio de exaltação do homem, enquanto na verdade o homem precisa da mulher graças à sua imperfeição. Através da mulher, o homem define seu panorama e ela é seu espelho. Na mulher, cada homem tem o que merece...