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Os Conclaves de Lúcifer

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"É necessário saber que a glória de Deus preenche toda a Terra e não há espaço vazio Dele. Ele preenche todos os mundos e cerca todos os mundos...

Sem Sua divindade, eles não teriam vida e não haveria qualquer existência.

A única limitação é que quanto mais baixo o nível, maior é Tzimtzum (contração) de Sua divindade ali, e mais é recoberta com camadas de tecido."

— Meshivat Nefesh

Lúcifer é um agente espiritual, e mais e mais usado para legitimar a atividade anti-tradicional. Tem-se presenciado nos últimos anos uma concentração de ordens e igrejas estabelecendo cultos ao 'adversário', geralmente visto como um espírito misantrópico, jinn ou deidade que sustenta uma promessa de conhecimento para o mau e o forte. Se olharmos para os vários mitos e lendas que contam particularmente a queda de Lúcifer, veremos que ela foi relacionada à desobediência de prestar respeito a Adão, ao prostrar-se em frente à imagem do criador. A razão que Iblis dá na Sura 7 Al Quran é que ele, que é feito pelo fogo, não pode prostrar-se diante de uma criatura de barro, desde que o fogo é superior, e não só isto, o fogo é o elemento que endurece o barro. Como tal, a queda se transforma em uma rebelião à divina ordem e graça, pois não que Adão seja maior ou menor na medida em que Iblis se refere – ao contrário, é um chamado rumo ao respeito diante da criação e sua ordem.

Fico tentado em ver esta queda como uma negação de se dar as boas vindas ao filho da Luz, ao desdobrar dos seres manifestos, uma negação ao grande plano e à grande arquitetura cósmica. É de hubris que estamos falando, um orgulho causado por um senso danificado de auto-importância. Podemos dizer que Iblis, quando cai e se torna Shaitan, revela a exaltação do ego. Ele falha em reconhecer a potência espiritual de Adão graças a uma percepção distorcida da criação. E é aqui que reside o segredo da queda; o reverso dos pólos, como Ibn Arabi e muitos outros santos sufis que como ele apontaram, onde o ego e matéria são percebidas como o centro espiritual. Este reverso dos pólos, onde o alto se faz baixo e o baixo se faz alto encontra seu clímax social na era do iluminismo.

Podemos dizer que a grande confusão era relacionada ao fogo e o calor proveniente da luz. O calor da luz, sendo o ápice da ascensão espiritual enquanto o fogo é a paixão que queima na alma e cria a inveja e orgulho. O fogo que encontramos no sep’hira Din é diferente do calor do coração que encontramos em Chesed. É quando esta ação recíproca perde o sentido e a geografia espiritual da pessoa se transforma em um campo deslocado de excesso marcial que o alimento para batalhas é solidificado e extraído. Orgulho, egoísmo e inveja parecem ser os motivadores primários para batalhas apaixonadas, onde o nome, território e posses são os troféus a serem disputados no campo. Isto está longe do jihad espiritual que são encorajados que lancemos sobre os nossos nafs, as inclinações de nossos egos, que constantemente tentam usurpar o trono da Individualidade. A queda do anjo da luz à manifestação de oposição é um mistério relativo à confusão dos planos, a tomar o calor como fogo e a introduzir-se uma medida de quantidade sobre a de qualidade.

A falta de apreciação da luz que observamos hoje, quando o caído é exaltado como uma meta, é uma consequência natural das formas em que o divino se recobre em suas múltiplas camadas. Deus é como uma linda mulher, velada com camadas sobre camadas de lindos trajes. O mistério se oculta dentro da matéria e a verdade brilha dentre paredes de chumbo e concreto. Os que buscam a verdade vagueiam sem rumo, motivados por uma busca de compreender-se a Si próprio e perceber quem são, e mais e mais se agarram ardente e ferozmente a esta parede de chumbo, e motivados pelo seu calor, propagam um evangelho da morte divina e supremacia humana. Um ethos, grandioso como pode soar, tanto em palavras quanto em efeito, é todavia um sinal dos tempos. Isto revela o que o metafísico René Guénon referiu como ‘as fissuras na grande muralha'. É o Sitra Achra que desgasta a parede, e então pode entrar em um domínio alienígena, e assim, enche o mundo e todos os seus seres, o deslocamento que causa o reverso dos pólos é atingido e o pralaya é a consequência indigesta.

Enquanto é verdade que a vida e a luz existem em todos os lugares, ambos, em k’lippot e o Sitra Achra, há ainda a matéria da ordem e hierarquia. A queda fala de como a luz pode trair seu portador e pavimentar a via para hubris. E Iblis é a ‘testemunha negativa’ à unidade divina, como Nigel Jackson comenta em seu The Rumi Tarot (Llewellyn: 2009), - pois é através das marcas dos pés de Iblis que a estrada é feita reta, e é através de suas obras que sabemos o que É por causa do que NÃO É. É este pensamento que deu origem aos textos da floresta, mais tarde conhecidos como os Upanishads e a filosofia Advaita. Mas este é um dos muitos conclaves de Lucifer – e este se ergue contra a exaltação de hubris na forma de ordens e igrejas dedicadas a sustentar a existência flutuante do ‘polo reverso’, o triunfo da carne sobre a transcendência. Como o próprio Profeta disse, e Que a Paz Esteja Sobre Ele, “Mais dano é causado pelos tolos através de tolices do que causado por malfeitores através da maldade”.

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