17/10/2010

Lúcifer e a Inspiração Saturnina

Afrodite e Hefesto

A astrologia clássica dá a regência dos signos de Aquário e Capricórnio à Saturno. Aquário é a casa diurna de Saturno, onde ele encontra a sua alegria. Capricórnio é a sua casa noturna, onde ele fica realmente confortável. Saturno é considerado por William Lilly e Bonatti como diurno, frio e seco. Lily ainda comenta que ele é 'terroso' e 'o inventor da solidão'. Por referência a estes mesmos dois mestres do folclore estrelado, vemos que Saturno é exalto em Libra, um signo regido por Vênus. O mago renascentista Marsilio Ficino comenta em vários trechos de sua obra prima De Vita Libri Tres que este é um mistério que ele se nega a comentar. Isso envolve a Saturno, os gênios da mandrágora e das solanáceas, em uma luz mais curiosa e interessante, se percebida de uma perspectiva tradicionalista.

Capricórnio é um signo vigoroso e teimoso. É a fertilidade da terra que procura dominar seu lugar e espaço e a qualquer coisa que esteja neste lugar e espaço. Sobre e dentro da terra as estrelas caem e brilham, e suas centelhas continuam dando vida a plantas, árvores e idéias. A alegria de Saturno é quando ele pode se inspirar destas centelhas de luz estelar encontradas espalhadas por toda parte, sobre e dentro da terra. É a inspiração nascida a partir dessas faíscas que encontramos no signo de Aquário. Esta inspiração é luciferiana, no sentido de ser o poder da experiência imediata de algo direto e puro, a 'observação esclarecedora da natureza', se fôssemos seguir o pensamento de Francis Bacon. Ele se referiu a esta forma de experiência como 'luchifera', algo que acendia uma faísca para se investigar com maior controlo. Este é Saturno alegre, quando as faíscas fluem da terra, como serpentes de iluminação, phosphorus. Este é Aquário amadurecido, e esta é a essência da potência tão mal compreendida das virtudes de Lúcifer.

Quando Saturno entra em Libra, ele se funde com Vênus em sua casa de alegria. E curiosamente, o phosphorus é um nome dado a Vênus como a primeira e a última estrela a aparecer no céu, o limite absoluto e um tempo em si, entre noite e dia, e dia e noite. Isto não de todo Vênus, mas Saturno em sua exaltação, ou como William Lilly diz: 'o Lúcifer educado'. A ligação de Vênus com Saturno também é demonstrada em sua regência da triplicidade terrestre pelo dia, que conta Capricórnio e seu próprio signo, Touro. Uma vez mais, um ponto de encontro é revelado, ou seja, na terra. Vênus é a dama do cinturão de Órion, uma vez mais revelando-se como o poder do apoio masculino.

Quando Saturno, frio e seco, se mescla com a Vênus noturna e úmida, eles fundem na frieza e a partir disto é gerado este fogo duplo negativo. O fogo por trás da Saturnalia, quando os papéis se invertem e as leis se transformam ilegais. Sua possibilidade é facilitada pelas faíscas luciferianas resultantes do encontro da terra com o ar celestia,l reunindo as faíscas divinas que repousam no solo.
 
Creio que com este o primeiro passo rumo às cavernas dos segredos que mantêm a essência de onde Lúcifer tem caminhado... e vou dizer, parafraseando Ficino, 'nada mais devemos dizer'...