Pular para o conteúdo principal

Lúcifer e a Inspiração Saturnina

Afrodite e Hefesto

A astrologia clássica dá a regência dos signos de Aquário e Capricórnio à Saturno. Aquário é a casa diurna de Saturno, onde ele encontra a sua alegria. Capricórnio é a sua casa noturna, onde ele fica realmente confortável. Saturno é considerado por William Lilly e Bonatti como diurno, frio e seco. Lily ainda comenta que ele é 'terroso' e 'o inventor da solidão'. Por referência a estes mesmos dois mestres do folclore estrelado, vemos que Saturno é exalto em Libra, um signo regido por Vênus. O mago renascentista Marsilio Ficino comenta em vários trechos de sua obra prima De Vita Libri Tres que este é um mistério que ele se nega a comentar. Isso envolve a Saturno, os gênios da mandrágora e das solanáceas, em uma luz mais curiosa e interessante, se percebida de uma perspectiva tradicionalista.

Capricórnio é um signo vigoroso e teimoso. É a fertilidade da terra que procura dominar seu lugar e espaço e a qualquer coisa que esteja neste lugar e espaço. Sobre e dentro da terra as estrelas caem e brilham, e suas centelhas continuam dando vida a plantas, árvores e idéias. A alegria de Saturno é quando ele pode se inspirar destas centelhas de luz estelar encontradas espalhadas por toda parte, sobre e dentro da terra. É a inspiração nascida a partir dessas faíscas que encontramos no signo de Aquário. Esta inspiração é luciferiana, no sentido de ser o poder da experiência imediata de algo direto e puro, a 'observação esclarecedora da natureza', se fôssemos seguir o pensamento de Francis Bacon. Ele se referiu a esta forma de experiência como 'luchifera', algo que acendia uma faísca para se investigar com maior controlo. Este é Saturno alegre, quando as faíscas fluem da terra, como serpentes de iluminação, phosphorus. Este é Aquário amadurecido, e esta é a essência da potência tão mal compreendida das virtudes de Lúcifer.

Quando Saturno entra em Libra, ele se funde com Vênus em sua casa de alegria. E curiosamente, o phosphorus é um nome dado a Vênus como a primeira e a última estrela a aparecer no céu, o limite absoluto e um tempo em si, entre noite e dia, e dia e noite. Isto não de todo Vênus, mas Saturno em sua exaltação, ou como William Lilly diz: 'o Lúcifer educado'. A ligação de Vênus com Saturno também é demonstrada em sua regência da triplicidade terrestre pelo dia, que conta Capricórnio e seu próprio signo, Touro. Uma vez mais, um ponto de encontro é revelado, ou seja, na terra. Vênus é a dama do cinturão de Órion, uma vez mais revelando-se como o poder do apoio masculino.

Quando Saturno, frio e seco, se mescla com a Vênus noturna e úmida, eles fundem na frieza e a partir disto é gerado este fogo duplo negativo. O fogo por trás da Saturnalia, quando os papéis se invertem e as leis se transformam ilegais. Sua possibilidade é facilitada pelas faíscas luciferianas resultantes do encontro da terra com o ar celestia,l reunindo as faíscas divinas que repousam no solo.
 
Creio que com este o primeiro passo rumo às cavernas dos segredos que mantêm a essência de onde Lúcifer tem caminhado... e vou dizer, parafraseando Ficino, 'nada mais devemos dizer'...

Postagens mais visitadas deste blog

The ‘firmeza’ of Quimbanda

Quimbanda is a cult centred on the direct and head on interaction with spirit, hence developing mediumistic skills and capability in spirit trafficking is integral and vital to working Quimbanda. Possession is a phenomenon that intrigues and also scares. After all we have all seen movies like The Exorcist and other horror thrillers giving visual spectacles to how hostile spirits can take over the human body, mind and soul in intrusive and fatal ways. But possessions do find a counterpart in the shamanic rapture as much as in the prophet whose soul is filled with angelic light that makes him or her prophetic. Possession is not only about the full given over of your material vessel to a spirit that in turn uses the faculties of the medium to engage various forms of work. Inspiration, dream and to be ‘under the influence’ are potentially valid and worthy avenues for connecting with spirit. Yet another avenue for good spirit trafficking is the communion, or what Jake Stratton-Kent ca

A Quimbanda FAQ

In this article I will try to answer some questions concerning Quimbanda that surfaces with frequency. Questions concerning how to work this cult solitary and somehow dislocated from the cultural climate of understanding here in Brazil are frequently asked as are questions concerning the magical tools, such as guias, patuás and statues, available to the general public. I want to be initiated in Quimbanda, how do I proceed with that? When we speak of initiation in the perspective of Quimbanda we are speaking of a true and intense merging with spirit that involves a pact/agreement, a spirit vessel (assentamento), ordeal and oath. There are elements used in this process that are common to every house/terreiro/cabula/lineage of Quimbanda that reveals a common origin. There are different varieties of Quimbanda in Brazil, and the expression of the common root, will always depend of the constellation of spirits we find in the tronco. In other words, a ‘Casa de Exu’ that is dominated

The Celestial Wine of Grace

Versão em Português In De Vita Libri Tres Marsilio Ficino (1433 – 1499) tells us the following: “But it would be safer for your health if you would mix with the Solar, things that are Jovial and at the same time Venereal – Venereal moisture especially, such as the water and juice of roses and violets, because it moderates the Solar heat.” (Ficino: 313) Ficino saw the human race as predominantly Solar, as also the authors of Picatrix and Kitab Thakarit Al Ishkandar saw the human race; but as the Sun can be scourging and make the field for its interest barren in the same way a Solar excess can make the human body and soul dry and lifeless. It is therefore important to temper the royal rays of the Sun and its’ natural release of Solar vapor as a way of inducing harmony between the parts of the human complex. Ficino was probably inspired by Arnoldus Villa Novas (1235 – 1311) treatise on the varieties of wine, Liber de Vinis, a work that details a selection of wines that can be utilized